Miss Major Griffin-Gracy e sua luta sendo membro da comunidade LGBTQIAPN+


A revolta de Stonewall é um marco na história de luta e resistência da comunidade LGBTQIAPN+. Na noite de 28 de junho de 1969 a polícia, em uma ação violenta, invade Stonewall Inn, um bar precário, porém, um dos poucos lugares que a comunidade LGBTQIAPN+ podia circular e ser atendida normalmente em Nova York. E embora fosse comum a invasão da polícia no bar, sempre de maneira truculenta, nesse dia a resposta foi diferente:

“Nada foi planejado. Estávamos cansadas de sermos espancadas. Nós, pessoas trans, negras e latinas. Todas esgotadas e enfrentamos a polícia. Lembro que decidimos que não toleraríamos e ao fim acabou durando seis dias.”

Esta fala é de Miss Major Griffin-Gracy, nascida em 24 de outubro de 1940, em Chicago/Illinois/EUA. Ela, apesar de excluída em algumas narrativas sobre este dia, esteve presente neste momento marcante da história. É que quando se conta sobre o 28 de junho, deixam de lado as mulheres trans negras que ali estiveram, cuspindo na cara dos policiais, como fez Major.

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Miss Major, como é comumente chamada, viveu, ou melhor, sobreviveu a uma época em que a lei de sodomia atacava a comunidade LGBTQIAPN+, impedindo-os de terem a guarda de seus filhos, de serem contratados em empregos. Miss Major já precisou recorrer a prostituição para sobreviver.

Arte criada por Maria Rosa sobre Miss Major
Arte criada por Maria Rosa @mariarosa.art para www.artedemaria.com

Por algum tempo foi considerada uma Drag queen, já que a expressão transexual foi cunhada como uma alternativa só em 1965, embora as corpas já estivessem presentes, vivas e pulsantes no mundo. Major, inclusive chegou a viver a fluidez dos gêneros, sem tomar pra si alguma classificação, colocava seu terno e gravata com uma camisa que evidenciava seus seios ou cabelos soltos com a barba por fazer.

Miss Major Griffin-Gracy
Beck Witt Major, Asaiah Major, Michi Ilona Osato, Una Aya Osato, Miss Major, Morgan Bassichis
Cortesia de Morgan Bassichis

Embora a voz de Miss Major deva receber sua devida escuta na luta de Stonewal, é mais tarde que o ativismo ganha espaço em sua vida. Em seu tempo na prisão, quando foi presa por roubo, conheceu Frank Smith, a convivência abriu seus olhos para importância de proteger, segundo ela afirma, “minhas garotas”. Daí em diante passa a ajudar pessoas trans encarceradas a se reestabelecerem. Tornando-se uma ativista e líder comunitária pelos direitos dos transgêneros, com foco particular em mulheres negras. Major é mãe de cinco filhos, o primeiro nascido em 1978 e o quinto em 2021. Em entrevista à revisa Marie Claire afirma:

“Gostaria de ver um mundo em que as pessoas trans são aceitas por seus talentos e não porque são toleráveis”.

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